Meu nobre rapaz

large (1)

  Meu nobre rapaz, escrevo porque o tempo tem passado mais depressa do que deveria e  começo a sentir uma falta angustiante de ti. És um anjo, que apareceu sorrateiramente em minha vida e partiu nas horas escuras sem oferecer – me a menor explicação. És um viajante alegre, um livre cavalheiro, um rapaz encantador . Mas cometestes um grande erro, deixar uma delicada donzela sem um mínimo adeus. Isso tira de ti, longos dias de admiração, pois faz sofrer que desejou ser tua liberdade. Sei que o mundo te chama, e que jamais poderei acompanha – lo,  mas nosso pequeno romance merecia ao menos outro fim, que demonstra – se o mínimo de consideração por tua parte. Se ao menos nossos olhos tivessem se encontrado uma última vez, talvez fosse possível convence-lo a ficar, mas não permitiu a nos dois essa última chance.

  Não posso dizer que choro por ti. Sinto o mundo de um jeito diferente, sabes bem, incapaz de me apegar a sentimentos que sei, são passageiros, mas faço-me feliz, por serem intensos.

  A partir de agora, fica claro, os caminhos trilhados serão opostos, mas se voltar a minha humilde terra, permita – me recebe – lo.  Essa carta já não existirá, e nosso amor será uma lembrança a mais no tempo, mas sirvo – lhe um café e conversamos, como dois amigos íntimos.

Tayna Bravin

Anúncios

Atenção

 usada 0

   Temos uma mania horrível, olhamos tudo e não vemos nada, não sentimos e ainda assim,  julgamos. Me fale, qual é o segredo nos olhos de quem está ao seu lado neste  momento, o que se move ao toque mínimo do vento, quem sorri. Me diga, o que acontece ao o seu redor, qual a beleza naquilo que vê, se tem algo que garanto, e que ela existe e está em algum pormenor.

   Entre tantas armadilhas, estamos mais seguros em um futuro, que não chega jamais, sempre a frente, nunca aqui, nunca é agora, um erro tão fatal, que leva a morte enquanto o coração ainda bate.

   A pista seca lentamente, o sol, tímido, começa a se mostrar, os carros passam tão depressa, alheios a uma beleza tão próxima, logo acima, um fim de tarde esplêndido, nublado, de modo que ao longe pode-se ver réstias de luz. Com tanta pressa de chegar, negligência – se a viagem, que no fim, é tão mais linda, ou igualmente bela, ao topo da montanha. A vista que temos de lá, é um caminho trilhado silenciosamente por estas curvas sinuosas.

Tayná Bravin

Olhar Desconfiado

Um dia na vida de uma menina-mulher.

Encontre-se agora, em um quarto mal iluminado, em uma poltrona no canto, a observar alguém, veja agora, que em um pulo, está moça está de pé, confere as horas e corre porta a fora. Poucos minutos depois, uma rua deserta, a mesma moça, uma roupa surrada, um fino casaco, braços cruzados, veja que ela olha desconfiada, mas não leve a mal, ela viu coisas demais para tão pouca idade.

Veja-a entrando no ônibus, e tire os olhos dela, olhe para o rapaz no outro lado da rua, parece-me agitado conferindo as horas tantas vezes, ele espera alguém, que assustada, não muito longe, esteja a fugir, entre você também no ônibus, e olhe ao fundo, aquela moça que olha pela janela, siga seus olhos e encontrara um rapaz, que desiste e segue seu caminho, volte e vera, lagrima sinceras tomando conta de nossa bela moça.

Deixe-a só, e perca-se no cotidiano, nessa realidade, o dia agora começa a clarear e todas as expressões já são tao cansadas, alguns perdem-se na paisagem, mas acredite, não veem nada, ainda há tanto para se fazer, ali no canto, o rapaz magrinho,  ele sonha com um futuro melhor para sí, a senhora ao seu lado, sempre foi um tanto egoísta, desde sua juventude, e aquela moça bonita, está apaixonada, veja em seus olhos, ela é tão batalhadora quanto nossa menina. Nossa menina, se apresse, ela já desceu e corre entre a multidão, ainda a uma loga distância, mas hoje, só há dinheiro para uma passagem.

Sente-se, ela já vem lhe atender, perdoe-a pela demora, está sendo ameaçada de demissão, mas veja, está a caminho, aproveite-se desse momento para observa-la, perca-se em sua pele macia, veja como brilham seus olhos, ela lhe sorri delicadamente, seja educado, de a ela um bom dia, pois ninguém foi ainda capaz de tal ato nesta manha, divirta-se com sua surpresa, e pode pedir, ela está aqui para lhe servir.

   O sol agora queima, procure-a, ela esta nesta praça, ali, naquela sombra, o que ela tira da bolsa, é seu almoço, está frio é verdade, mas é grata por ele, veja como ela se distrai facilmente, como observa os estudantes que passam, ela sempre quis uma oportunidade apenas, agarraria e zelaria por ela, mas a lugares diferentes para cada um, e ela, acredita nisso. Olhe ao seu lado, está rosa, dê a ela, as vezes, um desconhecido pode salvar a dia de alguém.

   Ora, sei que é tarde, mas ela ainda não foi liberada, espere com calma, e mais uma vez, perca-se em seu mundo, aquela moça de olhos vermelhos ao seu lado, perdeu a avó está manhã, pergunte-lhe se está bem, ela precisa saber que alguém se importa, do outro lado, aquele senhor, com o buque, faz vinte anos de casamento hoje. Olhe, ela sobe no ônibus, vá também, mas não a assuste, fique longe, são tempos perigosos.

   Agora, ela entra em casa, está segura ao menos está noite, venha, vamos tomar algo, preciso de um bom vinho, e ela, de uma noite de sono.

Tayná Bravin