Meu nobre rapaz

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  Meu nobre rapaz, escrevo porque o tempo tem passado mais depressa do que deveria e  começo a sentir uma falta angustiante de ti. És um anjo, que apareceu sorrateiramente em minha vida e partiu nas horas escuras sem oferecer – me a menor explicação. És um viajante alegre, um livre cavalheiro, um rapaz encantador . Mas cometestes um grande erro, deixar uma delicada donzela sem um mínimo adeus. Isso tira de ti, longos dias de admiração, pois faz sofrer que desejou ser tua liberdade. Sei que o mundo te chama, e que jamais poderei acompanha – lo,  mas nosso pequeno romance merecia ao menos outro fim, que demonstra – se o mínimo de consideração por tua parte. Se ao menos nossos olhos tivessem se encontrado uma última vez, talvez fosse possível convence-lo a ficar, mas não permitiu a nos dois essa última chance.

  Não posso dizer que choro por ti. Sinto o mundo de um jeito diferente, sabes bem, incapaz de me apegar a sentimentos que sei, são passageiros, mas faço-me feliz, por serem intensos.

  A partir de agora, fica claro, os caminhos trilhados serão opostos, mas se voltar a minha humilde terra, permita – me recebe – lo.  Essa carta já não existirá, e nosso amor será uma lembrança a mais no tempo, mas sirvo – lhe um café e conversamos, como dois amigos íntimos.

Tayna Bravin

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Mau Rapaz

HomensSenhorita (6)
Meu Mau Rapaz

    Ele surgiu, sorrateiro, lendo meus pensamentos. Quem pensa que é, me decifrando assim, desvendando meus mistérios pelo olhar. Tão igual a mim, semelhanças que chegam a assustar. Quem vê de fora, não entende, o que aquele olhar é capaz de causar. Tantas palavras, confundem-me, calando-me, surpreendendo-me.
    Mas quem é ele, os mesmo gostos, os mesmos passatempos e os mesmos pensamentos, igual a mim, tão igual que chego a acreditar que o conheço, cada palavra, cada frase, cada gosto. És incrível. Fazes piada de tudo, mas no fundo, se fores como eu, tem sentimentos sérios guardados ao fundo do peito.
    Disseste que sou perigosa, e meu perigo está no olhar, que não me entregam, mas me denunciam. Sou sorrateira, e percebo em ti boas doses de liberdade, liberdade que me atrai, que me desafia. Pois somos iguais, meu mau rapaz.

Tayná Bravin