Eu não faço parte

large (23)

   Eu não faço parte, já estive em tantas paisagens, já ouvi tantas histórias, já vivi de tantas maneiras e tantas horas, para no fim, estar entre tantos, e não pertencer a nada, não ser parte da essência de ninguém. Limitou-se meu mundo aos conselhos raros e a aprendizados passados, significando apenas lembranças, e podendo partir, sem prejuízo algum a nenhuma alma, a qualquer momento.

   A liberdade que me motiva é consequência do só. Não sou chave para amores, não sou a união de outros tantos, não apadrinho ninguém. Sou drama, fim e recomeço. Sou palavras mortas e refúgios secretos. Buscam a mim aqueles que tem medo de falar, mas crescem, revivem e voam. Sou sim, parte importante, mas não insubstituível, auxiliei o amadurecimento de alguns poucos, e me foi pago na mesma moeda. Hoje sou história, passado, sorriso amargo, ensinamento do que não fazer. Sou amiga, parceira, sumida, e por fim, vazio.

   Já pedi atenção, carinho e amor. Hoje sou vôo, quietude e fogo. Queimo a mim mesma com silêncios quebrados por vaidades, e sou calma por serem ignorados. Enfim, não sou atriz, sou mera figurante. Uma orgulhosa ignorante, de olhares expressivos e textos bonitos.

Tayná Bravin

Tayná Bravin

Olhar Desconfiado

Um dia na vida de uma menina-mulher.

Encontre-se agora, em um quarto mal iluminado, em uma poltrona no canto, a observar alguém, veja agora, que em um pulo, está moça está de pé, confere as horas e corre porta a fora. Poucos minutos depois, uma rua deserta, a mesma moça, uma roupa surrada, um fino casaco, braços cruzados, veja que ela olha desconfiada, mas não leve a mal, ela viu coisas demais para tão pouca idade.

Veja-a entrando no ônibus, e tire os olhos dela, olhe para o rapaz no outro lado da rua, parece-me agitado conferindo as horas tantas vezes, ele espera alguém, que assustada, não muito longe, esteja a fugir, entre você também no ônibus, e olhe ao fundo, aquela moça que olha pela janela, siga seus olhos e encontrara um rapaz, que desiste e segue seu caminho, volte e vera, lagrima sinceras tomando conta de nossa bela moça.

Deixe-a só, e perca-se no cotidiano, nessa realidade, o dia agora começa a clarear e todas as expressões já são tao cansadas, alguns perdem-se na paisagem, mas acredite, não veem nada, ainda há tanto para se fazer, ali no canto, o rapaz magrinho,  ele sonha com um futuro melhor para sí, a senhora ao seu lado, sempre foi um tanto egoísta, desde sua juventude, e aquela moça bonita, está apaixonada, veja em seus olhos, ela é tão batalhadora quanto nossa menina. Nossa menina, se apresse, ela já desceu e corre entre a multidão, ainda a uma loga distância, mas hoje, só há dinheiro para uma passagem.

Sente-se, ela já vem lhe atender, perdoe-a pela demora, está sendo ameaçada de demissão, mas veja, está a caminho, aproveite-se desse momento para observa-la, perca-se em sua pele macia, veja como brilham seus olhos, ela lhe sorri delicadamente, seja educado, de a ela um bom dia, pois ninguém foi ainda capaz de tal ato nesta manha, divirta-se com sua surpresa, e pode pedir, ela está aqui para lhe servir.

   O sol agora queima, procure-a, ela esta nesta praça, ali, naquela sombra, o que ela tira da bolsa, é seu almoço, está frio é verdade, mas é grata por ele, veja como ela se distrai facilmente, como observa os estudantes que passam, ela sempre quis uma oportunidade apenas, agarraria e zelaria por ela, mas a lugares diferentes para cada um, e ela, acredita nisso. Olhe ao seu lado, está rosa, dê a ela, as vezes, um desconhecido pode salvar a dia de alguém.

   Ora, sei que é tarde, mas ela ainda não foi liberada, espere com calma, e mais uma vez, perca-se em seu mundo, aquela moça de olhos vermelhos ao seu lado, perdeu a avó está manhã, pergunte-lhe se está bem, ela precisa saber que alguém se importa, do outro lado, aquele senhor, com o buque, faz vinte anos de casamento hoje. Olhe, ela sobe no ônibus, vá também, mas não a assuste, fique longe, são tempos perigosos.

   Agora, ela entra em casa, está segura ao menos está noite, venha, vamos tomar algo, preciso de um bom vinho, e ela, de uma noite de sono.

Tayná Bravin