Olhar Desconfiado

Um dia na vida de uma menina-mulher.

Encontre-se agora, em um quarto mal iluminado, em uma poltrona no canto, a observar alguém, veja agora, que em um pulo, está moça está de pé, confere as horas e corre porta a fora. Poucos minutos depois, uma rua deserta, a mesma moça, uma roupa surrada, um fino casaco, braços cruzados, veja que ela olha desconfiada, mas não leve a mal, ela viu coisas demais para tão pouca idade.

Veja-a entrando no ônibus, e tire os olhos dela, olhe para o rapaz no outro lado da rua, parece-me agitado conferindo as horas tantas vezes, ele espera alguém, que assustada, não muito longe, esteja a fugir, entre você também no ônibus, e olhe ao fundo, aquela moça que olha pela janela, siga seus olhos e encontrara um rapaz, que desiste e segue seu caminho, volte e vera, lagrima sinceras tomando conta de nossa bela moça.

Deixe-a só, e perca-se no cotidiano, nessa realidade, o dia agora começa a clarear e todas as expressões já são tao cansadas, alguns perdem-se na paisagem, mas acredite, não veem nada, ainda há tanto para se fazer, ali no canto, o rapaz magrinho,  ele sonha com um futuro melhor para sí, a senhora ao seu lado, sempre foi um tanto egoísta, desde sua juventude, e aquela moça bonita, está apaixonada, veja em seus olhos, ela é tão batalhadora quanto nossa menina. Nossa menina, se apresse, ela já desceu e corre entre a multidão, ainda a uma loga distância, mas hoje, só há dinheiro para uma passagem.

Sente-se, ela já vem lhe atender, perdoe-a pela demora, está sendo ameaçada de demissão, mas veja, está a caminho, aproveite-se desse momento para observa-la, perca-se em sua pele macia, veja como brilham seus olhos, ela lhe sorri delicadamente, seja educado, de a ela um bom dia, pois ninguém foi ainda capaz de tal ato nesta manha, divirta-se com sua surpresa, e pode pedir, ela está aqui para lhe servir.

   O sol agora queima, procure-a, ela esta nesta praça, ali, naquela sombra, o que ela tira da bolsa, é seu almoço, está frio é verdade, mas é grata por ele, veja como ela se distrai facilmente, como observa os estudantes que passam, ela sempre quis uma oportunidade apenas, agarraria e zelaria por ela, mas a lugares diferentes para cada um, e ela, acredita nisso. Olhe ao seu lado, está rosa, dê a ela, as vezes, um desconhecido pode salvar a dia de alguém.

   Ora, sei que é tarde, mas ela ainda não foi liberada, espere com calma, e mais uma vez, perca-se em seu mundo, aquela moça de olhos vermelhos ao seu lado, perdeu a avó está manhã, pergunte-lhe se está bem, ela precisa saber que alguém se importa, do outro lado, aquele senhor, com o buque, faz vinte anos de casamento hoje. Olhe, ela sobe no ônibus, vá também, mas não a assuste, fique longe, são tempos perigosos.

   Agora, ela entra em casa, está segura ao menos está noite, venha, vamos tomar algo, preciso de um bom vinho, e ela, de uma noite de sono.

Tayná Bravin

Sempre foi amor

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   Eu tenho uma paixão, que me leva ao limite, suga tudo de mim, mas apesar disso,  é pura e constante, e com todos seus altos e baixos, é sempre paz, é sempre amor. É um amor de infância, recheados de fases, brincadeiras e brigas. Uma comédia romântica, que ri e chora ao mesmo passo, que parte e volta pro mesmo abraço, que se eterniza no sorriso infantil.

   Esse amor é cuidado, é ciumes e tem seus exageros, mas é real e insubstituível. Esse amor que toma por exemplo, que tira por base, que briga por proteção. Esse amor que ama na dificuldade, na alegria e na tristeza, na saúde e mais ainda na doença, esse amor que desespera, briga e corre em socorro em questão de tão poucos segundos, um amor tão primitivo e tão maduro, uma obrigação prazerosa, amiga, deliciosa.

   Tão diferente, das banalidades, é um romance pra vida inteira, um filme repetitivo, que a gente não o cansa de ver. Esse amor que tá no sangue, mesmo quando o mesmo sangue não corre em todos. Esse amor de irmãos.

Tayná Bravin

Acho que Cresci

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Acho que Cresci

    Acordei cedo, fiquei na cama, prolongando uma decisão que já estava tomada, eu preciso aprender a me decidir mais rápido, pensei, ignorando o pensamento com a mesma velocidade com que ele chegara. Sempre fui uma menina alegre, contudo, por dentro, indecisa e tímida. Quem me vê falar assim, jura que estou a me divertir com alguma ironia, mas se olhar a fundo, verá uma doce criança com medo. Meus medos sempre me governaram, levando-me a seguir a risca as ordens que me eram dadas, uma boa menina, diziam, mas fui crescendo, e cada vez mais colidindo com as vontades de ver o mundo. Continuava, mesmo assim, nos trilhos, não me desviava um centímetro do meu destino, tentar outro caminhos, jamais, sempre fora arriscado. Até que percebesse, que os riscos eram mínimos, meios em milhões, foi uma longa jornada, mas você conhece os adolescentes, a curiosidade me vencera, passei a fazer pequenos desvios, sempre com medo, até descobrir que milhões de caminho me levavam ao mesmo local, com todo exagero da palavra, é claro. Foram minhas primeiras decisões, que tão invariavelmente calculadas, obtiveram exito. 

    Agora, acordo e percebo, que certas decisões não podem levar dias para serem tomadas, pois a oportunidade passa, meu medo me segura, e eu me conformo com um simples fiz o que era certo, mas nem tudo é tão certo, meu medo começa a atrapalhar-me, o que antes me guiava, torna-se obstaculo. As perguntas chegam, de todo lado, a todo o memento, decisões pequenas que influenciam todo um dia, já não são perguntas sem importância, já não tenho as desculpas de antigamente, acho que cresci, tive uma palinha dos que meus pais me contavam quando pequena, eles tinham razão, não é tão bom como pensava, é maravilhoso. Um misto de medo, liberdade e responsabilidade, saber que sou inteiramente responsável pelo rumo que minha vida toma, é inebriante, agora, mais que tudo, penso por mim, todos sabemos que era bem mais fácil deixar que me guiassem, aonde quer que eu fosse levada não era culpa minha e eu possuía o direito de reclamar, agora, não ha essa opção, tenho de ir ao fim, pois me foi dado o direito de escolha.
     Posso ser o que quiser, mas não posso ser tudo como a criança queria. Posso ter o que quiser, mas não posso ter tudo como a menina um dia sonhara. Posso ir aonde quiser, mas não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, como a adolescente inocentemente julgara. As responsabilidades chegaram com a liberdade, e de tudo, foi o que mais gostei. Eu me preparei para este momento a vida inteira, mas agora descubro não estar tão pronta assim, foi me dado um motivo para o que lutar, a primeira batalha a vencer, estou eufórica e com medo. Diante das primeira decisões difíceis, mas para minha sorte elas já foram tomadas, que venham as outras, pois a cada dia se tornam mais presentes, cada uma precisando de respostas rápidas, difícil, mas olhe, trace um objetivo, e escolha aquela que mais combinar com ele.
É preciso ter cuidado, pois agora, minhas decisões influenciam uma vida inteira. 
Tayná Bravin