Eu não faço parte

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   Eu não faço parte, já estive em tantas paisagens, já ouvi tantas histórias, já vivi de tantas maneiras e tantas horas, para no fim, estar entre tantos, e não pertencer a nada, não ser parte da essência de ninguém. Limitou-se meu mundo aos conselhos raros e a aprendizados passados, significando apenas lembranças, e podendo partir, sem prejuízo algum a nenhuma alma, a qualquer momento.

   A liberdade que me motiva é consequência do só. Não sou chave para amores, não sou a união de outros tantos, não apadrinho ninguém. Sou drama, fim e recomeço. Sou palavras mortas e refúgios secretos. Buscam a mim aqueles que tem medo de falar, mas crescem, revivem e voam. Sou sim, parte importante, mas não insubstituível, auxiliei o amadurecimento de alguns poucos, e me foi pago na mesma moeda. Hoje sou história, passado, sorriso amargo, ensinamento do que não fazer. Sou amiga, parceira, sumida, e por fim, vazio.

   Já pedi atenção, carinho e amor. Hoje sou vôo, quietude e fogo. Queimo a mim mesma com silêncios quebrados por vaidades, e sou calma por serem ignorados. Enfim, não sou atriz, sou mera figurante. Uma orgulhosa ignorante, de olhares expressivos e textos bonitos.

Tayná Bravin

Tayná Bravin

Atenção

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   Temos uma mania horrível, olhamos tudo e não vemos nada, não sentimos e ainda assim,  julgamos. Me fale, qual é o segredo nos olhos de quem está ao seu lado neste  momento, o que se move ao toque mínimo do vento, quem sorri. Me diga, o que acontece ao o seu redor, qual a beleza naquilo que vê, se tem algo que garanto, e que ela existe e está em algum pormenor.

   Entre tantas armadilhas, estamos mais seguros em um futuro, que não chega jamais, sempre a frente, nunca aqui, nunca é agora, um erro tão fatal, que leva a morte enquanto o coração ainda bate.

   A pista seca lentamente, o sol, tímido, começa a se mostrar, os carros passam tão depressa, alheios a uma beleza tão próxima, logo acima, um fim de tarde esplêndido, nublado, de modo que ao longe pode-se ver réstias de luz. Com tanta pressa de chegar, negligência – se a viagem, que no fim, é tão mais linda, ou igualmente bela, ao topo da montanha. A vista que temos de lá, é um caminho trilhado silenciosamente por estas curvas sinuosas.

Tayná Bravin

A história de um amor

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Amor

Os olhos dela o perfuravam,  o mundo caia em volta, e os dois, nem ao menos percebiam. Mantinham – se entregues um ao outro, vivendo uma história única,  que nem um filme jamais retratou.  Ah, estavam apaixonados, estavam sim, incapazes de encontrar paz longe dos olhos do outro, uniam suas mãos,  suas bocas e seus corações, e tinham apenas um objetivo,    amar intensamente.

Veja bem, ele lhe recitava os mais belos poemas, e ela, lhe fazia juras de amor. E no fim, eram os dois, no banco da praça, o vento que corria frio, aconchegada em seus braços, as horas pareciam não passar. E mais uma vez, nada mais ousava existir, eram o momento, o toque suave, o abraço apertado.

E quando os olhos se fechavam, lá estava o sorriso, e eram incapazes de traduzir, qualquer parte do que sentiam, a cada lembrança, juravam, sentiam outra vez.

Era noite, a lua cheia a encantar os apaixonados, eram dois, eram um. E eles dançavam, ao som de sua música, passos pequenos e vagarosos, apoiada em seu peito, ouvia lhe o coração a bater, e a cada passo, agradeciam por estar ali. Sorrisos frouxos e a lentidão ensinando a encantar.

Ah, eles se amavam, amavam sim, um ao outro, a sua história, o que eram juntos. Amavam como loucos. Amavam e conquistavam, a cada dia, uma nova história para chamar de sua. Amavam, e o amor que construíram, era melhor que nos livros, era real. E o fim desta história, não existe,  ainda  amam.

Tayná Bravin