Eu não faço parte

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   Eu não faço parte, já estive em tantas paisagens, já ouvi tantas histórias, já vivi de tantas maneiras e tantas horas, para no fim, estar entre tantos, e não pertencer a nada, não ser parte da essência de ninguém. Limitou-se meu mundo aos conselhos raros e a aprendizados passados, significando apenas lembranças, e podendo partir, sem prejuízo algum a nenhuma alma, a qualquer momento.

   A liberdade que me motiva é consequência do só. Não sou chave para amores, não sou a união de outros tantos, não apadrinho ninguém. Sou drama, fim e recomeço. Sou palavras mortas e refúgios secretos. Buscam a mim aqueles que tem medo de falar, mas crescem, revivem e voam. Sou sim, parte importante, mas não insubstituível, auxiliei o amadurecimento de alguns poucos, e me foi pago na mesma moeda. Hoje sou história, passado, sorriso amargo, ensinamento do que não fazer. Sou amiga, parceira, sumida, e por fim, vazio.

   Já pedi atenção, carinho e amor. Hoje sou vôo, quietude e fogo. Queimo a mim mesma com silêncios quebrados por vaidades, e sou calma por serem ignorados. Enfim, não sou atriz, sou mera figurante. Uma orgulhosa ignorante, de olhares expressivos e textos bonitos.

Tayná Bravin

Tayná Bravin

Moleque

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Moleque
    Ele troca de amor como troca de roupa, mente com mais frequência do que toma café, machuca, se faz de coitado, da dó, até você conhecer. Deixa por ai milhões de corações partidos, injusto, diz apenas que o mundo é assim. Malandro, se aproveita da fragilidade, se faz tímido até conquistar, da seu bote, depois parte. Só mais um moleque bom de lábia que ainda à de terminar sozinho. 
    Talvez um dia, acorde e perceba, que de esperto pouco tem, é um fraco que nada possui, um qualquer, facilmente substituído. Um dia ele aprende, que cada sorriso vira lagrima, que seus deboches o fizeram sozinho, muito se divertiu, mas na hora da dor, não á ninguém, jogado no chão do quarto, sem saber onde errou, condena o mundo, culpa a todos, incapaz de se assumir autor de sua desgraça, a ele apenas nosso velho ditado, só colheu, o que plantou. 
Tayná Bravin

Acho que Cresci

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Acho que Cresci

    Acordei cedo, fiquei na cama, prolongando uma decisão que já estava tomada, eu preciso aprender a me decidir mais rápido, pensei, ignorando o pensamento com a mesma velocidade com que ele chegara. Sempre fui uma menina alegre, contudo, por dentro, indecisa e tímida. Quem me vê falar assim, jura que estou a me divertir com alguma ironia, mas se olhar a fundo, verá uma doce criança com medo. Meus medos sempre me governaram, levando-me a seguir a risca as ordens que me eram dadas, uma boa menina, diziam, mas fui crescendo, e cada vez mais colidindo com as vontades de ver o mundo. Continuava, mesmo assim, nos trilhos, não me desviava um centímetro do meu destino, tentar outro caminhos, jamais, sempre fora arriscado. Até que percebesse, que os riscos eram mínimos, meios em milhões, foi uma longa jornada, mas você conhece os adolescentes, a curiosidade me vencera, passei a fazer pequenos desvios, sempre com medo, até descobrir que milhões de caminho me levavam ao mesmo local, com todo exagero da palavra, é claro. Foram minhas primeiras decisões, que tão invariavelmente calculadas, obtiveram exito. 

    Agora, acordo e percebo, que certas decisões não podem levar dias para serem tomadas, pois a oportunidade passa, meu medo me segura, e eu me conformo com um simples fiz o que era certo, mas nem tudo é tão certo, meu medo começa a atrapalhar-me, o que antes me guiava, torna-se obstaculo. As perguntas chegam, de todo lado, a todo o memento, decisões pequenas que influenciam todo um dia, já não são perguntas sem importância, já não tenho as desculpas de antigamente, acho que cresci, tive uma palinha dos que meus pais me contavam quando pequena, eles tinham razão, não é tão bom como pensava, é maravilhoso. Um misto de medo, liberdade e responsabilidade, saber que sou inteiramente responsável pelo rumo que minha vida toma, é inebriante, agora, mais que tudo, penso por mim, todos sabemos que era bem mais fácil deixar que me guiassem, aonde quer que eu fosse levada não era culpa minha e eu possuía o direito de reclamar, agora, não ha essa opção, tenho de ir ao fim, pois me foi dado o direito de escolha.
     Posso ser o que quiser, mas não posso ser tudo como a criança queria. Posso ter o que quiser, mas não posso ter tudo como a menina um dia sonhara. Posso ir aonde quiser, mas não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo, como a adolescente inocentemente julgara. As responsabilidades chegaram com a liberdade, e de tudo, foi o que mais gostei. Eu me preparei para este momento a vida inteira, mas agora descubro não estar tão pronta assim, foi me dado um motivo para o que lutar, a primeira batalha a vencer, estou eufórica e com medo. Diante das primeira decisões difíceis, mas para minha sorte elas já foram tomadas, que venham as outras, pois a cada dia se tornam mais presentes, cada uma precisando de respostas rápidas, difícil, mas olhe, trace um objetivo, e escolha aquela que mais combinar com ele.
É preciso ter cuidado, pois agora, minhas decisões influenciam uma vida inteira. 
Tayná Bravin