Sabotagem

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Imagem retirada de Bancos de imagens gratuitos da internet.

   Gritos, choros, ofensas. Tentam me calar. Passam por cima do que disse ou acredito, vêem-me como incapaz. Inútilsubstituível, fraca, invisível, objeto de manipulação. Jogam-me de um lado para o outro, subestimam o meu ódio e tola que sou, calam-me também . 

   Sonhos, planos, não se tem direito , fique aqui, quietinha. Não questione,  compreenda , as pessoas são assim. Se alguém ouvir, não sera bem vista, vão se afastar, ficara sozinha. Não perca a hora, obedeça, de atenção.

   Magoas, são dramas, exageros. Desejos, são utopias, provocações. Liberdades, são safadezas, desaforos. Nunca a sociedade se entendeu tão  bem para definir algo, e optaram logo por me diminuir.

   És ingrata, hipócrita, mentirosa. És tudo o que querem que seja, mas ainda assim, não se de ao luxo de fazer o que quer. Tudo deve ser difícil, ou não estarão satisfeitos.

Tayná Bravin

Consumo exagerado

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   Eu te consumo aos poucos, e você nem nota. Eu rondo por horas,  e nem sente. Ah se soubesse, com qual olhos o vejo, talvez se demorasse mais a me analisar. De modo que não visse a menina inocente, se ouvisse o que ela diz. É somente a escolha de não subestimar outro ser.

   Passam-se anos, e ainda que nada mude, muitas histórias seguem se desenrolando, pois sempre fica, algum nó pra desatar, algo para descobrir, qualquer coisa, que tome tempo. E tenho em mim o prazer mórbido de registrar cada infortúnio, guardando  como um diário a desventura de cada um.

   Confusão de idéias, sequência de acontecimentos, assim se molda o livro. Ligue cada linha, obtenha informações, desvenda-me, se for capaz. Adianto-lhe apenas a indiferença que corre em mim senhor, quando ciumes me fervem o sangue. Ademais, compreenda, seria incomodo oferecer qualquer outra explicação.

Tayná Bravin

Meu corpo. Minhas Regras.

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Imagem retirada de Bancos de Imagens Gratuitos da Internet.

   Venho por meio desta, pedir um favor, deixe-me em paz. Não e aproveitável metade do que diz, são tantas injurias, que me doem os olhos ler, e magoam a memoria ao ter de lembrar. Seu mundo e suas crenças senhor, morreram com  os grandes ditadores, e seus conceitos atrasados, me enjoam. Respeito tua opinião, mas não tente impor a quem não quer ouvi-la. Tenha consciência de que assim, só faz com que todas nos tenhamos repulsa de sua companhia  . 

    Outra tarde senhor, fui agredida, por por pensamentos semelhantes ao teu, por dizer, ei, este corpo me pertence, adquiri alguns hematomas.  Uma outra irma, foi perseguida, e por pouco não teve seu corpo violado por um patife qualquer. A roupa ou a hora, pergunta-me, e respondo, não me faça rir. Isso de nada importa. São teus preconceitos e não a realidade que torna isso aceitável para tantos.

   Instinto, argumenta, já estou a gargalhar, recomponha-se, hora essa, a tempos deixamos de ser selvagens, o mundo mudou, adeque-se, respeite, e não me obrigue a relatar novamente teus crimes.

Tayná Bravin

P.S. Assedio, estupro, Violência. Basta!

Eu não faço parte

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   Eu não faço parte, já estive em tantas paisagens, já ouvi tantas histórias, já vivi de tantas maneiras e tantas horas, para no fim, estar entre tantos, e não pertencer a nada, não ser parte da essência de ninguém. Limitou-se meu mundo aos conselhos raros e a aprendizados passados, significando apenas lembranças, e podendo partir, sem prejuízo algum a nenhuma alma, a qualquer momento.

   A liberdade que me motiva é consequência do só. Não sou chave para amores, não sou a união de outros tantos, não apadrinho ninguém. Sou drama, fim e recomeço. Sou palavras mortas e refúgios secretos. Buscam a mim aqueles que tem medo de falar, mas crescem, revivem e voam. Sou sim, parte importante, mas não insubstituível, auxiliei o amadurecimento de alguns poucos, e me foi pago na mesma moeda. Hoje sou história, passado, sorriso amargo, ensinamento do que não fazer. Sou amiga, parceira, sumida, e por fim, vazio.

   Já pedi atenção, carinho e amor. Hoje sou vôo, quietude e fogo. Queimo a mim mesma com silêncios quebrados por vaidades, e sou calma por serem ignorados. Enfim, não sou atriz, sou mera figurante. Uma orgulhosa ignorante, de olhares expressivos e textos bonitos.

Tayná Bravin

Tayná Bravin

Dance Comigo

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   Dance comigo amor, dance comigo antes que o dia amanheça, me permita senti-lo outra vez, me permita acreditar que nada mais mudara. Gosto do seus braços me mantendo junto a ti, da sua voz em meu ouvido, e da maneira como me conduz neste salão. Faz o mundo parecer tão simples, como se só fosse preciso esquecer o que nos  machuca, mas meu amor, dói saber que pode partir, então, por favor, dance o comigo esta noite, me puxe para perto e me faça acreditar que sim, pode ser mais fácil se estivermos juntos.

   Estou aqui para dizer, estou apaixonada por você, e sentir é algo que nunca havia feito, então, por favor, beije-me durante esta dança. Deixe-me apoiada em seu peito, preciso ouvir seu coração, pois cada batida me torna mais viva, quero sentir, que seu perfume agora está em mim, enquanto giramos neste salão.

  Faça-me perceber que seus olhos estão em mim, isto é tão necessário quanto respirar, anjo, me faz saber que está aqui.  Posso sentir o desejo em seus olhos, então te abraço mais forte e me entrego à canção, é inevitável não estar contigo aqui. E quando a musica acabar, prometa-me que não é nosso fim.

Tayná Bravin

Meu nobre rapaz

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  Meu nobre rapaz, escrevo porque o tempo tem passado mais depressa do que deveria e  começo a sentir uma falta angustiante de ti. És um anjo, que apareceu sorrateiramente em minha vida e partiu nas horas escuras sem oferecer – me a menor explicação. És um viajante alegre, um livre cavalheiro, um rapaz encantador . Mas cometestes um grande erro, deixar uma delicada donzela sem um mínimo adeus. Isso tira de ti, longos dias de admiração, pois faz sofrer que desejou ser tua liberdade. Sei que o mundo te chama, e que jamais poderei acompanha – lo,  mas nosso pequeno romance merecia ao menos outro fim, que demonstra – se o mínimo de consideração por tua parte. Se ao menos nossos olhos tivessem se encontrado uma última vez, talvez fosse possível convence-lo a ficar, mas não permitiu a nos dois essa última chance.

  Não posso dizer que choro por ti. Sinto o mundo de um jeito diferente, sabes bem, incapaz de me apegar a sentimentos que sei, são passageiros, mas faço-me feliz, por serem intensos.

  A partir de agora, fica claro, os caminhos trilhados serão opostos, mas se voltar a minha humilde terra, permita – me recebe – lo.  Essa carta já não existirá, e nosso amor será uma lembrança a mais no tempo, mas sirvo – lhe um café e conversamos, como dois amigos íntimos.

Tayna Bravin

Atenção

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   Temos uma mania horrível, olhamos tudo e não vemos nada, não sentimos e ainda assim,  julgamos. Me fale, qual é o segredo nos olhos de quem está ao seu lado neste  momento, o que se move ao toque mínimo do vento, quem sorri. Me diga, o que acontece ao o seu redor, qual a beleza naquilo que vê, se tem algo que garanto, e que ela existe e está em algum pormenor.

   Entre tantas armadilhas, estamos mais seguros em um futuro, que não chega jamais, sempre a frente, nunca aqui, nunca é agora, um erro tão fatal, que leva a morte enquanto o coração ainda bate.

   A pista seca lentamente, o sol, tímido, começa a se mostrar, os carros passam tão depressa, alheios a uma beleza tão próxima, logo acima, um fim de tarde esplêndido, nublado, de modo que ao longe pode-se ver réstias de luz. Com tanta pressa de chegar, negligência – se a viagem, que no fim, é tão mais linda, ou igualmente bela, ao topo da montanha. A vista que temos de lá, é um caminho trilhado silenciosamente por estas curvas sinuosas.

Tayná Bravin

Olhar Desconfiado

Um dia na vida de uma menina-mulher.

Encontre-se agora, em um quarto mal iluminado, em uma poltrona no canto, a observar alguém, veja agora, que em um pulo, está moça está de pé, confere as horas e corre porta a fora. Poucos minutos depois, uma rua deserta, a mesma moça, uma roupa surrada, um fino casaco, braços cruzados, veja que ela olha desconfiada, mas não leve a mal, ela viu coisas demais para tão pouca idade.

Veja-a entrando no ônibus, e tire os olhos dela, olhe para o rapaz no outro lado da rua, parece-me agitado conferindo as horas tantas vezes, ele espera alguém, que assustada, não muito longe, esteja a fugir, entre você também no ônibus, e olhe ao fundo, aquela moça que olha pela janela, siga seus olhos e encontrara um rapaz, que desiste e segue seu caminho, volte e vera, lagrima sinceras tomando conta de nossa bela moça.

Deixe-a só, e perca-se no cotidiano, nessa realidade, o dia agora começa a clarear e todas as expressões já são tao cansadas, alguns perdem-se na paisagem, mas acredite, não veem nada, ainda há tanto para se fazer, ali no canto, o rapaz magrinho,  ele sonha com um futuro melhor para sí, a senhora ao seu lado, sempre foi um tanto egoísta, desde sua juventude, e aquela moça bonita, está apaixonada, veja em seus olhos, ela é tão batalhadora quanto nossa menina. Nossa menina, se apresse, ela já desceu e corre entre a multidão, ainda a uma loga distância, mas hoje, só há dinheiro para uma passagem.

Sente-se, ela já vem lhe atender, perdoe-a pela demora, está sendo ameaçada de demissão, mas veja, está a caminho, aproveite-se desse momento para observa-la, perca-se em sua pele macia, veja como brilham seus olhos, ela lhe sorri delicadamente, seja educado, de a ela um bom dia, pois ninguém foi ainda capaz de tal ato nesta manha, divirta-se com sua surpresa, e pode pedir, ela está aqui para lhe servir.

   O sol agora queima, procure-a, ela esta nesta praça, ali, naquela sombra, o que ela tira da bolsa, é seu almoço, está frio é verdade, mas é grata por ele, veja como ela se distrai facilmente, como observa os estudantes que passam, ela sempre quis uma oportunidade apenas, agarraria e zelaria por ela, mas a lugares diferentes para cada um, e ela, acredita nisso. Olhe ao seu lado, está rosa, dê a ela, as vezes, um desconhecido pode salvar a dia de alguém.

   Ora, sei que é tarde, mas ela ainda não foi liberada, espere com calma, e mais uma vez, perca-se em seu mundo, aquela moça de olhos vermelhos ao seu lado, perdeu a avó está manhã, pergunte-lhe se está bem, ela precisa saber que alguém se importa, do outro lado, aquele senhor, com o buque, faz vinte anos de casamento hoje. Olhe, ela sobe no ônibus, vá também, mas não a assuste, fique longe, são tempos perigosos.

   Agora, ela entra em casa, está segura ao menos está noite, venha, vamos tomar algo, preciso de um bom vinho, e ela, de uma noite de sono.

Tayná Bravin

Sempre foi amor

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   Eu tenho uma paixão, que me leva ao limite, suga tudo de mim, mas apesar disso,  é pura e constante, e com todos seus altos e baixos, é sempre paz, é sempre amor. É um amor de infância, recheados de fases, brincadeiras e brigas. Uma comédia romântica, que ri e chora ao mesmo passo, que parte e volta pro mesmo abraço, que se eterniza no sorriso infantil.

   Esse amor é cuidado, é ciumes e tem seus exageros, mas é real e insubstituível. Esse amor que toma por exemplo, que tira por base, que briga por proteção. Esse amor que ama na dificuldade, na alegria e na tristeza, na saúde e mais ainda na doença, esse amor que desespera, briga e corre em socorro em questão de tão poucos segundos, um amor tão primitivo e tão maduro, uma obrigação prazerosa, amiga, deliciosa.

   Tão diferente, das banalidades, é um romance pra vida inteira, um filme repetitivo, que a gente não o cansa de ver. Esse amor que tá no sangue, mesmo quando o mesmo sangue não corre em todos. Esse amor de irmãos.

Tayná Bravin

Aventureira

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Não possuía raízes,  uma moça extremamente bela, com um coração livre e feliz. Viajante, aventureia, louca, irresponsável, nunca se importou as palavras alheias, ignorantes, dizia ela, se vissem metade do que vi, não reconheceriam mais fronteiras. 

Admirava, profundamente,quem construía um lar em terra batida, mas era do mundo, das grandes vistas, das águas cristalinas, do revoltoso mar, da liberdade a dois. Não tinha muito, mas suas histórias,  juro, me cativaram por horas.                   

A conheci quando passava por nossa cidade, chamou-a de alegres, e elogiou muito nossa comida. Acompanhou – me pelas ruas solitárias, enquanto me mostrava o que em anos, não fui capaz de ver.  Disse – me que fosse atento, pois fazia de tudo e não vivia nada. 

Era sábia apesar da idade, conhecia uma realidade que não queremos ver. Andará tanto,  que foi capaz de ver aqui, um bom lugar para viver. Sua raiz era o Brasil, cada canto de beleza perdida nessa bagunça que conhecemos bem, mas sobre ela um olhar diferente,  um olhar de filha, que queria mudar o mundo e fazê-lo Feliz.  Inocente menina,  reconhecia sua força,  mas sabia que sozinha,  nada iria acontecer.

Eu voltei para casa, ela para a estrada, mudando o mundo em sua raiz, um por um,  ensinando seus irmãos,  um pouco de amor a sua terra. 

Tayna Bravin